LEGENDA Bora Ver: Beasts of no Nation


Agu é uma criança que após ter perdido sua família para a guerra civil em um país africano, se vê perdido até ser recrutado como soldado de um grupo de resistência. Sua vida então, passa a ter um novo propósito e ele passará por situações que irão transformá-lo para sempre.
Vale a pena ou a galinha inteira? 

Quase final de 2015 e cá estou eu assistindo filmes remanescentes desse ano que foi marcado por filmes bons, medianos e péssimos, quando me deparo com Beasts of no Nation. O filme que é o primeiro produzido pela Netflix estreou em outubro já gerando polêmica, uma vez que, as principais distribuidoras do mundo se recusaram a exibi-lo em suas salas, já que os planos da Netflix seria um lançamento simultâneo: tanto para os cinemas, quanto para o serviço de streaming. Mais que certo, que tais distribuidoras devem ter se arrependido profundamente, pois Beasts of no Nation está entre os melhores filmes lançados até o momento neste ano.



O diretor Cary Joji Fukunaga ficou responsável de transportar para as telonas o livro homônimo de Uzodinma Iweala, lançado em 2005 e fez um trabalho formidável com a adaptação. Cary não é um nome muito conhecido pelo público, mas se você acompanha séries com regularidade já deve ter ouvido falar de True Detective (2014). O cara foi o responsável pela direção da primeira temporada.

Já de cara, toda a trama do filme apresenta um ar atemporal. Ambientado em um país africano que sofre os conflitos da guerra e da miséria, Beasts irá nos apresentar Agu (Abraham Attah), uma criança que mesmo vivendo com essas vicissitudes, ainda é feliz com sua família.

Entre as primeiras cenas, temos a apresentação da "TV da Imaginação", criação de Agu e seus amigos, que sem dúvida é uma das cenas mais encantadoras do cinema que já pude presenciar. O significado que essa TV tem para as crianças é passada de uma forma  tão singular que imerge o telespectador na trama logo nos primeiros minutos do longa.

Toda seu ambiente familiar é destruído quando a guerra invade seu território, separando-o de seus entes queridos. Fugindo para dentro da selva, ele se vê perdido, sem perspectiva, até o momento que é encontrado pelos rebeldes liderados pelo Comandante (Idris Elba).


Idris irá interpretar uma figura violenta e selvagem, porém, até certo momento paternal. Ele é o responsável principal pela destruição da infância de dezenas, senão, centenas de crianças e jovens, no entanto, o discurso que ele faz é tão hipnótico, que faz com que ele se torne um vilão carismático. O que acontece é que o telespectador, com uma visão por fora da história, sabe que o Comandante é o que representaria o vilão, porém, não somos meros telespectadores. Somos Agu, vivemos o que Agu viveu, sentimos o que Agu sentiu e por isso, também somos hipnotizados pelo Comandante. Claro que como todo vilão carismático, o Comandante tinha que realizar uma ação no meio da história que destrói completamente qualquer simpatia que teríamos por ele e o monstro que ele representa é exposto. 



A quebra da infância de Agu ocorre de forma gradativa e a cada conversa dele com Deus, vamos sentindo o peso que essa quebra acarreta ao guri. Ainda assim, mesmo dentro desse ambiente todo hostil de guerra, Agu ainda forma uma forte amizade com Strika (Emmanuel Nii Adom Quaye), um garoto mudo que se torna seu companheiro e juntos com outros garotos conseguem se divertir em certos momentos

Falando da interpretação de Abraham, sem palavras. O garoto destrói tudo!!! O olhar dele é interpretativo. Você sente o que ele sente, só com o olhar. O riso dele é verdadeiro e você se sente feliz, com a felicidade (mesmo que momentânea) dele. E você chora e se preocupa com Agu em todas, eu disse TODAS as cenas de drama ou não.

A trilha sonora, inicialmente marcada por canções infantis e palmas, vai se modificando à medida que a história vai ficando mais sombria e no fim, ela é embalada por sons de tiros. A fotografia do filme assume um papel onírico que remete toda a história e faz com que cenas fortes sejam "amenizadas". Alguns plano-sequência são realmente brutais e fazem de Beasts sobretudo um filme de guerra.


O conflito pessoal de Agu de estar perdendo sua humanidade, de estar se transformando em um animal é de partir o coração, literalmente e o telespectador à medida que as duas horas do filme vão passando, só quer que tudo termine bem para o garoto, mesmo sabendo que nunca terminará bem, afinal, a infância e sobretudo a mente dele foi corrompida.

Por fim, Beasts of no Nation é um filme para se emocionar, para se chocar e repensar nas ações humanas. É uma história ficcional em certa parte, já que inúmeros Agus vivem e passam pela mesmas situações interpretadas por Abraham, o que é lamentável. Mais do que as penas e a galinha, o filme vale a granja inteira e que não há críticas ou resenhas suficientes para explicar as emoções que a película passa, só assistindo mesmo. Recomendadíssimo!!!




* As imagens retiradas do filme Beasts of no Nation são puramente com o intuito de ilustração e divulgação. Todos os direitos das mesmas são de seus criadores ^^

4 comentários:

  1. Amazing
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  2. Gostei muito deste filme. E chorante e real!!! Os atores são bons e o garoto é excelente!!

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    1. Olá Erci,
      Assistir ao garoto é realmente um espetáculo a parte. Ele segura o ritmo do filme do início ao fim. Muito bom!!!
      Abraços ^^

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