LEGENDA Bora Ler: Menina Má - William March



Rhoda, a pequena malvada do título, é uma linda garotinha de 8 anos de idade. Mas quem vê a carinha de anjo, não suspeita do que ela é capaz. Seria ela a responsável pela morte de um coleguinha da escola? A indiferença da menina faz com que sua mãe, Christine, comece a investigar sobre crimes e psicopatas. Aos poucos, Christine consegue desvendar segredos terríveis sobre sua filha, e sobre o seu próprio passado também.
Vale a pena ou a galinha inteira? 

William March foi um autor americano que escreveu cinco romances sem grande destaque antes de escrever Menina Má, que é considerada por muitos como a obra-prima do autor, que não viveu para ver o sucesso de seu livro. Mas o que March teria incluído nessa trama que o tornou um sucesso estrondoso de crítica e um dos best-sellers da época? Talvez tenha sido por William plantar na cabeça das pessoas uma sementinha de: o que aconteceria se...? Mas disso falarei posteriormente...

Apesar do nome e de todo os holofotes sobre a obra, o livro não irá girar entorno de Rhoda, a pequena garota fria, calculista e com tendências a psicopatia e sim em sua mãe, Christine, que terá que saber lidar (ou não) com essa filha problemática.  Isso pode fazer com que muitos leitores se desanimem ou até mesmo se decepcionem com a obra, por ela não entregar o enredo que criamos em nossa cabeça. Contudo, isso não foi problema para mim e o livro superou minhas expectativas. 

A narrativa é um pouco lenta, com pouquíssimos fatos realmente chocantes e impactantes. Temos então, essa mãe que vive com sua filha sozinha (por conta do marido estar viajando a trabalho) e que conta com o auxílio de vizinhas para conseguir lidar com Rhoda. Já logo nas primeiras páginas, percebe-se a ganância exposta nas ações da menina e é esse sentimento que irá guiar todos os eventos do livro. Após um piquenique da escola, um "coleguinha" de Rhoda morre afogado e a garota se mostra totalmente fria com relação a essa perda, despertando a desconfiança da mãe e um desconforto por parte das professoras. 

Rhoda é uma garota autossuficiente, que preza pela perfeição, não se importa com a opinião e sentimentos alheios, antissocial  e extremamente gananciosa, e isso é exposto em conversas entre sua mãe e a vizinha Monica Breedlove, personagem recorrente ao longo da história.

Uma das indagações levantadas pelo autor por meio de Christine e que deu nome ao livro no original é se as pessoas com tendências psicopatas se tornam serial killers por influência do ambiente ou se há uma predisposição genética que faça com que um "gene ruim" seja passado de forma hereditária. Esse tipo de questionamento é muito atual e fantástico, afinal, os filhos/netos/bisnetos/...netos, devem ser rotulados ou não por atos de seus antepassados?

O thriller psicológico que o autor cria, imerge o leitor na história que chega a dar medo. E esse é um dos fatores positivos da narrativa, além é claro, da história ser escrita em meados da década de 50 que é um período americano que eu adoro (Sim gente, sou brasileiro, mas gosto dessa época americana, fazer o que?). Um ponto falho da obra, talvez seja a pouca participação de Rhoda. A garota é temerosamente fantástica e aparece de forma pontual durante a narrativa, uma vez que, mesmo ela sendo o ponto alvo da história, o texto gira ao redor de sua mãe. 

Menina Má teve uma versão adaptada para os cinemas em 1956 pelo diretor Mervyn LeRoy, baseada na peça de teatro dirigida por Maxwell Anderson em 1954. O filme recebeu aqui no Brasil o título de A Tara Maldita e é muito fiel à obra original, mas com algumas diferenças como por exemplo, a aparição de Kenneth Peanmark (marido de Christine) e de Richard Bravo (pai de Christine), ambos apenas citados no livro.

O filme teve quatro indicações ao Oscar em 1956 (melhor fotografia, melhor atriz e duas indicações a melhor atriz coadjuvante, incluindo a atriz Patty McCormack interprete de Rhoda). Mesmo sendo fiel ao livro, os finais são diferentes e o legal é que após o famoso "The End", aparece uma nota do diretor solicitando para que as pessoas não estraguem a experiência dos outros revelando o final inesperado da história.

Por fim, Menina Má pode ser visto por alguns como uma história datada, mas que para a época significou um marco e além disso, é uma obra singular e excepcional que todo amante desse universo de psicopatia tem que ler. Recomendadíssimo!!!


Abraços e até a próxima pessoal!!! Siga o BP também em nossas redes sociais ^^ 

4 comentários:

  1. Que bom conhecer seu espaço e suas dicas de leitura. Abraço Sandra #projetandopessoas

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    1. Seja muito bem-vinda e fique convidada a voltar mais vezes Sandra ^^
      Abraços!

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  2. Adorei sua forma de escrever a resenha, parabéns!
    Já ouvi falar no filme, mas não sabia que havia o livro. Li poucas obras de suspense, fiquei interessada!

    http:/www.umavidaemandamento.blogspot.com.br/

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    1. Olá Bruna tudo bom?
      O filme apesar de ser preto e branco (eu adoro, mas tem pessoas que não curtem muito) é muito bom e por ambas as mídias terem finais diferentes não fica uma coisa repetitiva, já que é uma adaptação 96% fiel. Espero que goste da leitura, assim como gostei ^^
      Abraços!!

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