LEGENDA Bora Ler: It, a Coisa - Stephen King

Durante as férias escolares de 1958, em Derry, pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real sentido da amizade, do amor, da confiança e... do medo. O mais profundo e tenebroso medo. Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry. Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar. Uma nova onda de terror tomou a pequena cidade. Mike Hanlon, o único que permanece em Derry, dá o sinal. Precisam unir forças novamente. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue que fizeram quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry. O tempo é curto, mas somente eles podem vencer a Coisa. Em 'It - A Coisa', clássico de Stephen King em nova edição, os amigos irão até o fim, mesmo que isso signifique ultrapassar os próprios limites.
Vale a pena ou a galinha inteira?


Imaginem uma pessoa com constante medo de palhaços. Imaginem uma pessoa fã de Stephen King. Imaginem uma pessoa com um dilema terrível. It estava no meu projeto de 12 livros para ler em 2016 e era o meu maior medo quando foi sorteado, tanto pela temática, quanto pelo número de páginas. King tem em sua grande maioria, uma escrita bem imersiva, e saber que eu iria ficar tanto tempo dentro de Derry me dava certo pânico.

Diferente do que ocorre na maioria dos livros, em It, o personagem principal é sem dúvidas Derry, cidade que vivem os personagens. Vivem ou viveram, dependendo do ponto de vista que você analisar, uma vez que, o livro é dividido em duas linhas temporais: a primeira com os acontecimentos em 1958, quando os sete amigos ainda eram crianças e tiveram sua primeira experiência com a Coisa e depois em 1985, quando acompanhamos essas crianças já adultas. Com isso, King irá alternar os acontecimentos entre um ano e outro, além de alguns interlúdios abordando o passado de Derry, bem antes da década de 50. Esse "cliffhanger" (ganchos) que o autor propõe é quase que uma marca registrada, visto que, em outros livros ele se utiliza da mesma abordagem para fisgar o leitor.

Esse recurso cliffhanger que King espalha pelas mais de mil páginas de It é sensacional, principalmente com o que ele faz nos últimos capítulos. Eu como leitor, confesso nunca ter visto algo igual. Até então tínhamos partes blocos de narrativa só no passado ou só no presente, no entanto, quando chegamos nos últimos capítulos ele vai e volta de uma forma tão fluída, que ele começa uma frase no passado e continua a frase no presente, ou vice-versa e vai fazendo isso diversas vezes. Falando dessa forma, dá até a impressão de ser confuso, porém, podem acreditar, o leitor não se perde em momento algum.

Derry é uma cidade muito estranha. Há uma aura extremamente pesada que parece encobrir a cidade e que afeta crianças e adultos de formas diferentes: as crianças assassinadas, antes de morrer vivenciam seus piores medos, enquanto que os adultos tem sua visão mascarada para esses acontecimentos estranhos.

As sete crianças que formam o núcleo "principal" da série, levando em consideração como eu disse anteriormente que Derry é a protagonista da obra, irão viver em 1958 os melhores anos de suas vidas, conhecendo o verdadeiro sentido da amizade e do companheirismo e isso dá um ar de nostalgia gigante para o livro. Stephen King quando estava escrevendo It, queria que esse fosse o seu último livro abordando crianças e por isso, ele caprichou na abordagem que daria para cada uma dessas crianças, esmiuçando a vida de cada uma delas e apresentando para o leitor.

King não mede esforços para descrever situações e o ambiente de suas cenas, a ponto do leitor sentir na pele o que os personagens estão sentindo e isso faz com que sua narrativa possa ser caracterizada como prolixa, no entanto, também é o que torna o autor o grande mestre do terror e suspense contemporâneo.  

Mesmo It se tratando de um livro de terror, ele não é se trata de um terror físico e sim um terror mais psicológico, uma vez que a Coisa pode assumir diversas facetas, sendo a mais famosa a do temível palhaço Pennywise. 

Contudo, mesmo com todas essas características, o senhor King pisou na jaca em uma das últimas cenas envolvendo as crianças, principalmente envolvendo Beverly, a única garota do time de pequenos heróis. A solução que ele criou para que as crianças conseguissem sair dos túneis de esgoto foi tão banal, tão sem sentindo, que tive que reler umas três vezes para ter certeza que ele estava fazendo isso. Uma cena sem pé nem cabeça literalmente e totalmente desnecessária. 

Mesmo sendo um livro que entrou fácil, fácil para os melhores livros da vida, não tenho intenção nenhuma de reler (ou releia daqui a 26/27 anos rsrs), principalmente pelo mal estar que sentia às vezes, principalmente nas situações em que Pennywise aparecia.

O filme teve uma adaptação para os cinemas em 1990, dirigida por Tommy Lee Wallace (Halloween 3, A Hora do Espanto 2), e terá uma nova versão que será lançada em 2017 com direção de Andrés Muschietti e dividida em duas partes (caso você esteja lendo esse texto após o lançamento do filme, comente o que achou da adaptação para nos).

Por fim, It, a Coisa é um ícone das histórias de terror e suspense e vale o galinheiro inteiro, com palhaço ou sem palhaço.  


Abraços e até a próxima pessoal!!! Siga o BP também em nossas redes sociais ^^ 

2 comentários:

  1. Adorei seu post Tiago
    Tbe tenho medo de palhaços e morro de medo de livros e filmes de terror.
    Eu ainda nao arrisco
    Bjks mil

    www.maeliteratura.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Claudia, obrigado pelo elogio ^^
      Então, só consegui finalizar por que estava num grupo de leituras compartilhadas no Facebook, senão eu não me arriscaria a ir sozinho não e quem diria que um dia eu falaria para você: futuramente, dê uma chance a It que você não vai se arrepender hahahaha
      Abraços ^^

      Excluir