LEGENDA Bora Ler: O Bebê de Rosemary - Ira Levin

Alugando um apartamento em um antigo prédio de Nova York, os recém-casados Rosemary e Guy Woodhouse organizam suas vidas com a ajuda de dois vizinhos idosos e muito simpáticos. Contudo, após realizar seu grande sonho de engravidar, Rosemary começa a desconfiar de fatos estranhos envolvendo seus vizinhos e uma teia de terror e conspiração começa a se formar ao redor da moça.
Vale a pena ou a galinha inteira?

O que torna a obra de Levin tão espetacular? A sua narrativa. Apesar de ser um livro de terror, também pode ser considerado um excelente livro de suspense. O autor vai plantando pistas ao longo da narrativa e o leitor junto com Rosemary vai fazendo as correlações, ora acreditando que suas suspeitas são reais, ora que são apenas frutos de sua cabeça. 

A tensão psicológica minuciosamente plantada no livro é o que causa esse diferencial, tudo por que, é uma história narrada na cidade, em um prédio cheio de gente e não em uma casa abandonada no alto de uma colina. É uma trama que poderia se passar em nosso prédio, em nossa casa. Esse realismo é fenomenal quando abordado em livros de terror. Os vizinhos invasivos à princípio e extremamente interessados no bem estar de Rosemary se tornam figuras sufocantes ao longo da narrativa.

Aliado a essa pressão claustofóbica que os protagonistas passam a sofrer, temos uma "sorte" ocorrendo em suas vidas. Guy, que antes era um ator mediano, que não conseguia bons papeis, se vê com uma maré de prosperidade em detrerimento da sorte de outras pessoas. Rosemary após realizar o grande sonho de sua vida, que é o de engravidar, passa a sofrer sintomas adversos e bizarros até, mesmo seu médico, que fora indicado pelos bondosos vizinhos idosos, lhe informando que isso é normal e que ela não deveria levar em consideração os casos de outras mulheres grávidas.

O sobrenatural da obra, não ocorre de forma explícita. Tudo se mistura de forma onírica e leva o leitor a se questionar em certos momentos da sanidade da protagonista, como eu disse anteriormente. Um outro fato interessante da obra, é que Levin nos transporta para a década de 60, onde a voz ativa feminina era desconsiderada. Isso se faz presente nos momentos em que Rosemary se sente acuada e é facilmente dominada pelos homens. A narrativa flui como um filme e o leitor consegue sem esforços nenhum adentrar no apartamento de Rosemary e viver toda a pressão sofrida pela moça. 

Obviamente, não contei qual é esse terror ao qual Rosemary e seu bebê estão imersos, por que acredito que caso você não saiba nada da história, é uma experiência incrível ir descobrindo aos poucos, junto com a protagonista, torna a leitura mais imersiva. O último arco narrativo é de tirar o fôlego e com um final em aberto, porém, devido ao enredo ser bem construído, o leitor é capaz de saber o que teria acontecido a seguir com Rosemary e seu bebê. 



O livro teve uma adaptação para os cinemas em 1968 dirigida por Roman Polanski e se tornou um clássico do diretor e do cinema de todos os tempos. Com um roteiro bem semelhante ao do livro, o filme foi indicado a duas categorias ao Oscar: de melhor roteiro adaptado e melhor atriz coadjuvante; e a quatro indicações ao Globo de Ouro: atriz de drama, trilha sonora, roteiro e atriz coadjuvante. A atriz Ruth Gordon, recebeu os dois prêmios de atriz coadjuvante, devido a sua atuação como Minnie Castevet, a vizinha de Rosemary. 

Por fim, O Bebê de Rosemary é um excelente livro de terror, principalmente para os iniciantes no gênero, ou até mesmo no mundo dos livros devido a sua escrita de fácil compreensão. Por hoje é isso pessoal. Sigam o Brigada Paralela também em nossas redes sociais ^^ Abraços

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