LEGENDA Bora Ler: O Menino Que Desenhava Monstros - Keith Donohue


Jack Peter é um garoto de 10 anos com síndrome de Asperger que quase se afogou no mar três anos antes. Desde então, ele só sai de casa para ir ao médico. Jack está convencido de que há de monstros embaixo de sua cama e à espreita em cada canto. Certo dia, acaba agredindo a mãe sem querer, ao achar que ela era um dos monstros que habitavam seus sonhos. Ela, por sua vez, sente cada vez mais medo do filho e tenta buscar ajuda, mas o marido acha que é só uma fase e que isso tudo vai passar. Não demora muito até que o pai de Jack também comece a ver coisas estranhas. Uma aparição que surge onde quer que ele olhe. Sua esposa passa a ouvir sons que vêm do oceano e parecem forçar a entrada de sua casa. Enquanto as pessoas ao redor de Jack são assombradas pelo que acham que estão vendo, os monstros que Jack desenha em seu caderno começam a se tornar reais e podem estar relacionados a grandes tragédias que ocorreram na região. Padres são chamados, histórias são contadas, janelas batem. E os monstros parecem se aproximar cada vez mais.
Vale a pena ou a galinha inteira?

O Menino Que Desenhava Monstros é a última obra do autor americano Keith Donohue e publicada originalmente em 2014. O autor não é tão desconhecido pelos leitores brasileiros. Seu livro de estreia no Brasil, foi A Criança Roubada (2006), publicada aqui pela editora Alfaguara em 2007.

O livro é narrado em terceira pessoa e acompanhamos o cotidiano de Tim e Holly tentando lidar com o filho Jack que é diagnosticado com Síndrome de Asperger e da convivência com o único amigo de Jack, Nick que frequentemente visita a família. Após determinados acontecimentos evolvendo isoladamente cada um deles, Tim e Holly começam a perceber que algo de estranho os cerca. Tim passa a ver um homem alto, nu e totalmente branco ao redor de sua casa, enquanto que Holly começa a ouvir sons estranhos pela casa e batidas na porta. 

Ao ir avançando na leitura, o leitor passa a conhecer um pouco mais sobre a Síndrome de Asperger que é uma variação do espectro do autismo, em que a pessoa nessa condição, tem dificuldades em se socializar, no caso de Jack, a síndrome é agravada pelo desenvolvimento da Agorafobia, que é o medo de estar em espaços abertos, logo, o garoto não consegue sair de casa, se tornando bem recluso ao ambiente familiar. Em contrapartida, Jack como uma forma de tratamento, se apega fortemente a desenhar para expulsar sentimentos de sua cabeça, e o que o garoto mais gosta de desenhar são monstros, monstros que ele afirma para seus pais que estão ao redor da casa e tentando entrar nela.

Keith tem uma exímia capacidade de retratar as crianças do livro, tanto Jack, quanto Nick, com tal qualidade, que eles se tornam bastante críveis, você consegue enxergar esses personagens em crianças que você venha a conhecer. Com relação a amizade dos dois garotos, ambos passaram por uma situação de trauma no passado e isso deixou uma marca profunda em suas vidas e o autor consegue abordar essa situação de uma forma tão delicada, que o leitor leva susto quando ela é exposta.

O ritmo da leitura pode ser lento para algumas pessoas, o que pode não agradá-las se estiverem ávidas por leituras mais dinâmicas, porém, acho que em certa parte é justificável pela atmosfera que o autor constrói, em que cada cena criada pode ser muito bem refeita em nossas cabeças, como se fosse um roteiro de cinema. O desenvolvimento dos personagens é muito bem feito e os capítulos no princípio  se intercalam entre os quatro personagens principais.

Mesmo que a premissa do livro seja de fantasmas, em certo aspecto não se trata de um livro genuinamente de terror. O leitor consegue descascar diversas camadas que vão desde a convivência entre pais e filhos, quanto ao tentar descobrir realmente o que está acontecendo, e isso pode enquadrar o livro em subcategorias de suspense ou até mesmo gótico. Já não bastasse toda essa ambientação, a história se passa em meados do Natal, então, teremos muita neve na trama, dando um ar mais cinza ainda para a narrativa.

O final! Ahh o final! Um final espetacular e que ficará no estômago do leitor durante certo tempo digerindo. Não posso dizer que foi a melhor leitura do ano, por que foi a primeira leitura finalizada em 2017, então já posso dizer que comecei o ano super bem. O livro não foi favoritado, por que no meio do livro eu descobri o seu final, mas isso não me tirou em nada a extraordinária experiência de leitura ao descobrir que minhas suspeitas eram reais.

A edição não teria como ter recebido melhor tratamento. Em formato de capa dura, tanto o título, quanto os detalhes dos dentes que compõe a capa são em alto relevo, mas com relevo áspero, o que dá uma sensação tátil muito peculiar. A edição ainda conta com fita marcadora de páginas em cetim roxo e ao final da leitura, há algumas folhas em branco para que o leitor possa desenhar seus próprios monstros ali (SENSACIONAL!!!).

Os direitos da obra já foram vendidos para o cinema e quem ficará responsável pela adaptação é ninguém mais, ninguém menos que James Wan, o diretor responsável pelos filmes Invocação do Mal.

Por fim, O Menino Que Desenhava Monstros é um excelente livro que irá prender o leitor num misto de fantasia com terror/suspense gótico, em que até a última página, você irá se perguntar sobre o que assombra essa família, se é verdade, se é paranóia; até o momento em que o autor expõe a conclusão e deixa você estarrecido.


Então é isso pessoal, por hoje é só e caso tenham gostado do conteúdo, não se esqueçam de nos seguir também em nossas redes sociais FacebookInstagramSkoob e Twitter. 

Abraços ^^

Um comentário:

  1. Puxa que resenha bem feita uma das melhores que já li, pois não resenhaste só a história mas o próprio livro em si, colocarei na minha lista, despertou meu interesse, não conhecia esse autor depois, vou pesquisar outras obras dele!
    Seguindo o blog!

    http://livroseemocoes.blogspot.com

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