Bora Ler: Pax - Sara Pennypacker

Peter e sua raposa são inseparáveis desde que ele a resgatou, órfã, ainda filhote. Um dia, o inimaginável acontece: o pai do menino vai servir na guerra, e o obriga a devolver Pax à natureza. Ao chegar à distante casa do avô, onde passará a morar, Peter reconhece que não está onde deveria: seu verdadeiro lugar é ao lado de Pax. Movido por amor, lealdade e culpa, ele parte em uma jornada solitária de quase quinhentos quilômetros para reencontrar sua raposa, apesar da guerra que se aproxima. Enquanto isso, mesmo sem desistir de esperar por seu menino, Pax embarca em suas próprias aventuras e descobertas. 
 Vale a pena ou a galinha inteira?

Está ai um livro que eu não dava nada por ele, que nem estava na minha lista de leituras para o mês, mas que me deu uma vontade louca de furar fila de leitura para lê-lo. O motivo? Conscientemente nem sei para falar a verdade de onde veio essa vontade, inconscientemente talvez por que eu estaria lendo um livro que se tornaria um dos favoritos do ano.

Pax foi lançado originalmente no mesmo ano em que chegou ao Brasil, e é escrito por Sara Pennypacker em parceira com o ilustrador Jon Klassen. A autora já é reconhecida por suas obras infantis, vencedora inclusive de prêmios cujas categorias abarcavam esse público, o Golden Kite Award em 2008 por Pierre in Love e o Christopher Award em 2009 por Clementine's Letter.

Antes mesmo da história central de Pax começar a ser construída, todo o pano de fundo da trama já me agradou. Guerra. Não tenho certeza se a guerra em questão se trata da Segunda Guerra Mundial, ou da Primeira, até por que, ela não é retratada de forma direta. Temos sempre a questão da guerra chegando, como uma nuvem negra se aproximando e apavorando os personagens e essa sacada foi sensacional.

É nessa ambientação que conhecemos Peter, um garoto de uns 13 anos que vive com o pai e sua raposa de estimação. Acontece que a mãe do garoto morreu cedo, o que fez com que ele tivesse que fazer terapia durante um tempo, até que em determinado momento ele encontra o filhote de raposa que também havia perdido a mãe e o adota, criando um laço incrível de amizade.

Com a chegada da guerra, o pai de Peter se alista e o garoto precisa ir morar com o avô, contudo antes disso, o pai convence o garoto a abandonar o filhote na floresta, já que não poderia levá-lo. Já na casa do avô, Peter percebe que nunca deveria ter abandonado seu amigo, então, ele foge a noite em uma aventura para recuperar seu amigo.

A narrativa é intercalada entre os capítulos acompanhando Peter em sua fuga e os capítulos pelo ponto de vista de Pax. A história pelo ponto de vista da raposa é uma genialidade à parte. A escrita de Sara consegue passar toda a inocência que o filhote tem na eterna espera que seu dono volte para buscá-lo, além de mostrar as dificuldades que esperaríamos de um animal domesticado solto em ambiente selvagem. Ele tem dificuldades em se alimentar por não conseguir caçar, até o momento que se encontra com raposas selvagens que o ajudam.

Na história, Sara optou por nos apresentar pouquíssimos personagens, deixando o foco narrativo sob os dois protagonistas, contudo, tanto no núcleo de Peter, quanto no de Pax, há personagens importantes para a construção do drama, ensinando a eles muitas lições e possibilitando reflexões profundas a cerca da guerra, da amizade, de superação e até mesmo das atitudes dos humanos no planeta.

Toda a questão da guerra também é tratada de uma forma indireta. Os animais temem o ser humano por que ele é o causador da destruição em massa e só pensam em colocar bombas para explodir a fauna e a flora em busca de seus objetivos. Vola, personagem que auxilia Peter em boa parte da jornada dele, se sente culpada por ter tirado a vida de pessoas (ela era uma ex-combatente). Temos então essas duas vertentes sobre a guerra que irá permear nossos protagonistas, cada um de uma forma especifica. 

A escrita de Sara é tão fluída e traz uma nostalgia à infância tão grande (caso você seja adulto) que por quase 90% do livro eu achei que estava lendo uma novelização de algum clássico da Disney dos anos 60/70. Toda essa história poderia facilmente se tornar uma animação feita de forma clássica e ficaria lindo. 

Mesmo sendo um livro considerado infantil, Pax possui cenas fortes, afinal, estamos falando de um período em que a guerra está se aproximando, então temos as ilustrações de Jon que mesmo sendo poucas (poderia ter bem mais), aparecem em momentos bem pontuais da obra, tornando o livro como um todo muito mais lindo do que já é. Ahh ainda não contei, já não bastasse todos esses atrativos que disse até agora, a edição que a edição Intrínseca trouxe é em capa dura!!

Por fim, Pax foi uma ótima surpresa que além de ter um roteiro que valoriza a amizade e sobretudo a lealdade, possui toda uma edição bem cuidada e que consegue cativar os leitores. Que essa raposa não coma minhas galinhas, mas essa bela história merece um galinheiro inteiro!!! 

Então é isso pessoal, abraços e até a próxima! Não se esqueçam de nos seguir nas nossas redes sociais (a mais atualizada é o Instagram e o Skoob, mas vamos devagarzinho que vou conseguir dominar todas as redes ao mesmo tempo hahaha) ^^

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