O Último Adeus - Cynthia Hand


Lex, uma garota de 18 anos começa a escrever um diário a pedido do seu terapeuta, como forma de conseguir expressar seus sentimentos retraídos. Há apenas sete semanas, Tyler, seu irmão mais novo, cometeu suicídio, e ela não consegue mais se lembrar de como é se sentir feliz. O divórcio dos seus pais, as provas para entrar na universidade, os gastos com seu carro velho. Ter que lidar com a rotina mergulhada numa apatia profunda é um desafio diário que ela não tem como evitar. E no meio desse vazio, Lex e sua mãe começam a sentir a presença do irmão. Fantasma, loucura ou apenas a saudade falando alto? Eis uma das grandes questões desse livro apaixonante. 
Vale a pena ou a galinha inteira?

O Último Adeus não é o primeiro trabalho da autora americana Cynthia Hand, porém, é o primeiro publicado aqui no Brasil. Coincidentemente, a autora era mais conhecida por seus livros de fantasia da série Unearthly e O Último Adeus é seu primeiro romance contemporâneo. O livro foi lançado em 2016 e se tornou preferido de muita gente, principalmente nas proximidades do mês de setembro. Bem, se você não sabe, em setembro é vinculado o Setembro Amarelo, uma campanha  de conscientização sobre a prevenção do suicídio, com o objetivo direto de alertar a população a respeito da realidade desse ato e suas formas de prevenção. Até mesmo a própria edição lançada pela Darkside Books remete à esse mês.

Esse livro é tão importante, a representatividade dele é tão impactante dependendo do momento em que você o ler, que mesmo sendo uma leitura finalizada no início de maio, não tinha como eu não vir externar minhas opiniões sobre a obra. 

Quando a história começa, o irmão de Lexie já cometeu o suicídio. Então, não se trata de certa forma de um livro em que as ações irão culminar no suicídio, por que você sabe que o garoto morreu logo no início. É um livro sobre as pessoas que ficaram após o suicídio. A história toda é narrada pelo ponto de vista da Lexie e os capítulos são alternados entre o presente e o passado (nesse caso por meio de um diário escrito por Lexie à conselho de seu terapeuta). 

Acontece que Lexie está passando por uma fase muito confusa em sua vida. Após a morte do irmão sua vida mudou drasticamente. Além de ter seus sonhos minados por esse acontecimento, já que agora a vida dela é viver essa dor, ela também se afastou dos amigos, a relação com o pai que é separado de sua mãe é conturbada e delicada, a mãe entrou em uma apatia devido a perda do filho e Lexie está enxergando o irmão e sentindo seu cheiro por vários cantos da casa. 

A escrita da Cynthia é de partir o coração. Sério! Não tem como você ler os últimos capítulos sem se debulhar em lágrimas, principalmente se você chora com qualquer mídia como eu. Acho que talvez pelo fato da perda ser definitiva, você sente ou se coloca no lugar da personagem e é como se tudo aquilo estivesse ocorrendo com você literalmente. Eu tive ao terminar a leitura que mandar mensagem para minha irmã para saber como ela estava etc (moramos em Estados diferentes). 

O Último Adeus foi escrito com uma delicadeza,  escrevendo de uma forma bem nua e crua e não romantizando o suicídio. Em tempos de internet em que as informações são muito rápidas e muitas vezes, informações erradas chegam a nossos ouvidos, ler obras que expõe assuntos tão delicados como esse, são essenciais para que eles não se tornem tabus. 

É um livro pesado, é um livro triste, então é necessário que você perceba a melhor hora para lê-lo, mas é um livro necessário para se ler em algum momento da vida. E muitas vezes, a pessoa ser feliz perante a sociedade, ser o popular na escola etc, não é garantia de que por dentro essa pessoa não está quebrada. A percepção da depressão por terceiros é muito tênue, como aconteceu com Tyler. Nem os amigos, nem a família e nem a irmã que era super próxima a ele perceberam que ele estava vazio.

O projeto gráfico da edição está primorosa como sempre é esperado dos livros da Darkside Books. O texto é em azul em referência à caneta que Lexie usa para escrever em seu diário. Antes das passagens do diário, temos um emaranhado de linhas que começa enorme, mas à medida que ela vai entendendo o que está se passando em sua cabeça, esse emaranhado vai diminuindo e como eu disse, a capa é amarela, fazendo referência ao Setembro Amarelo. 

Por fim, O Último Adeus é um livro incrível, com uma dor muito palpável. Ele expõe o suicídio principalmente pela dor de quem fica. De quem fica e que não sabe por que aquela pessoa cometeu tal ato e muitas vezes sem deixar nenhum bilhete. Prepare sua caixa de lenços e leia por que esse livro vale um galinheiro inteiro!!

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