Bora Ler: Tess dos D'Urbervilles - Thomas Hardy

Em meio às rápidas mudanças econômicas e sociais que sacudiram o século XIX, a Inglaterra rural representa a distância entre tradição e modernidade. Após ser informado de um possível parentesco com os aristocratas D’Urbervilles, o camponês John Durbeyfield envia sua filha, a jovem Tess, para trabalhar com a nobre família. Dividida entre sua posição social e suas aspirações, Tess descobrirá que o mundo pode ser terrivelmente hostil, especialmente para uma donzela.
Vale a pena ou a galinha inteira?

Quando iniciei a leitura de Tess, pensei que essa seria a minha primeira incursão à escrita do autor, porém, depois me lembrei que já havia lido um conto dele intitulado Bárbara da Casa de Grebe que está na coletânea Contos de Horror do Século XIX escolhidos por Alberto Manguel. Thomas Hardy foi um escritor inglês do final século XIX e início do século XX com várias obras publicadas, algumas inclusive apresentando características que incomodaram os críticos da época. 

Tess dos D'Urbervilles é a obra que representa o autor na lista dos 1001 Livros Para Ler Antes de Morrer e foi o motivo de a ter escolhido para iniciar o ano de leituras. Particularmente, nunca havia ouvido falar do livro e muito menos da série e filme. 

Aqui vamos acompanhar a trajetória de Tess, uma jovem garota humilde do interior da Inglaterra que vive com seus pais e irmãos. Após descobrir que sua família faz parte de uma linhagem da nobreza, seus pais enviam Tess para reclamar perante os últimos parentes vivos uma parte da herança, uma vez que, estavam passando por dificuldades financeiras. A partir do momento que ela vai ao encontro desses parentes sua vida começa a marchar para uma série de desgraças.

A começar com seu primo, Alec D'Urberville, que após as recusas da moça perante seus ataques abusivos, arma uma situação em que consegue por fim estuprá-la. Bem, nesse ponto da narrativa de Hardy, ocorre um fato interessante. O autor em momento algum utiliza desse termo, ou diz que foi um ato realizado contra a vontade de Tess. A passagem é tão sútil e que o leitor pode nem perceber. Tess então volta para casa e fica marcada como a mulher que não é mais pura, tanto para sua família, quanto para os vizinhos do povoado, então ela resolve ir para uma localidade distante trabalhar e recomeçar.

Nessa localidade ela começa a trabalhar ordenhando vacas e conhece um dos funcionários, Angel Clare que logo se encanta por ela. Contudo, Tess sabe que não é mais digna do amor de ninguém por não ser mais pura. 

Contar mais da obra será estragar uma das melhores descobertas literárias que já fiz. Mesmo sendo um romance inglês, claramente posso dizer que é um novelão mexicano. Tess é vítima de tudo de ruim que possa acontecer por carregar uma culpa de algo que não foi provocado por ela e quando o leitor vai se aproximando das últimas partes do livro (que é composto por sete se não me engano), algumas reviravoltas e coincidências vão ocorrendo que logo associei a novelas mexicanas (p. ex. Maria do Bairro). Não pensem que isso prejudica o livro, de forma alguma. 

A construção dos personagens é bem articulada e você se apega a alguns e passa a odiar outros, como a própria mãe de Tess, uma mulher totalmente interesseira e que não mede esforços em jogar na cara da filha que ela é culpada por qualquer situação ruim da família. Boa parte dessa construção dos personagens também é favorecida pela atmosfera que o autor consegue construir e que transporta o leitor para o interior da Inglaterra nesse final/início de século. 

A escrita de Hardy é muito fluída. O livro possui 360 páginas, mas claramente com sensação de 700 páginas só que isso não afeta em nada na qualidade da leitura devido a forma orgânica da escrita do autor. Aliado a isso, o autor insere questões sobre o princípio moral dos personagens e da própria sociedade no período vitoriano e que pode ser visto até mesmo como questões atemporais, como por exemplo, o homem pode errar por livre arbítrio, mas se a mulher tiver um erro semelhante e que não foi a responsável, ela ainda estará errada. A subversão de papéis também é um fator que o autor utiliza na obra e que mesmo não apresentando reviravoltas grandiosas, ainda são ótimos ganchos para fisgar o leitor.

A obra foi adaptada em um filme dirigido por Roman Polanski em 1979 (que eu ainda não vi) e em 2008 uma minissérie da BBC com 4 episódios que é bem fiel à obra e que tem no papel de Angel Clare o ator Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo, A Garota Dinamarquesa e Animais Fantásticos e Onde Habitam).

Por fim, Tess dos D'Urbervilles é um clássico atemporal que vale a pena ser lido sim, já que possui uma narrativa fluída e apresenta temas que são bem pertinentes à sociedade contemporânea. A série é curtinha, então também vale a pena maratonar após ler o livro ou até mesmo caso você não o tenha lido. 

Então é isso pessoal, abraços e até a próxima! Não se esqueçam de nos seguir nas nossas redes sociais ^^


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